A fisioterapeuta Riza Oliveira, paixão pela corrida


Fisioterapeuta Riza Oliveira

1 - Como você começou a correr? e corre a quanto tempo?
R: Tudo começou por conta de um relacionamento que não deu certo! Pensava demais no assunto. Decidi substituir a dor mental por uma dor física. Já fazia algumas caminhadas com trotes curtos de uns 5 a 10 minutos, mas nunca conseguia passar disso. Então resolvi que toda vez que eu pensasse no “Dito Cujo” eu deveria correr! Resultado: poucos minutos caminhando e muuuitos minutos de trote! Segui um semestre assim, até o dia que uma amiga me convidou para correr 10km numa corrida de rua! Tinha 3 meses para conseguir fazer 10km, sendo que até então não passava dos 5km. Forcei um pouco e consegui treinar para os 10km, mas a minha lombalgia me pegou de jeito e não pude participar da prova. No mesmo período outra amiga me chamou pra participar da Maratona de Revezamento do Pão de Açúcar em São Paulo, onde eu correria 5km. O clima da prova foi tão legal que eu decidi que aquela seria a primeira de muitas e não parei mais desde então! Hoje já fazem 2 anos que comecei a correr, sendo que a primeira prova foi em setembro de 2011. Até agora já participei de 10 provas de rua, a maioria de 10km.

2- A corrida fez alguma mudança em sua vida?
R: Muita, e em todos os aspectos - físico, mental e social! As pernas começaram a ganhar forma, a barriga diminuiu, a postura melhorou. O humor sempre se transforma após uma corrida. É quase uma terapia! Arrisco dizer que é melhor e mais barato que uma terapia! Você começa a conhecer pessoas que correm e percebe que essas pessoas, apesar de também terem problemas são as mais felizes e de bem com a vida que já viu! O círculo de amizades vai crescendo e ao mesmo tempo um incentiva ao outro a atingir objetivos maiores e superar os próprios limites! Além disso, superar esses “limites físicos”, mostra que podemos superar limites em qualquer área da vida. É tudo uma questão de treino, perseverança, de encarar a dor e se surpreender, porque depois que a “prova” passa é só alegria!
Hoje, ficar sem treinar, não é opção! Até porque, o corpo vicia e faz muita falta. O corpo pede! É só calçar o tênis e sair!

3- Como são seus treinamentos?
R: Quando comecei a correr, fazia sempre a mesma coisa. Corria 6, 8 ou 10km sem parar e pronto! Hoje participo de uma assessoria esportiva, a Fortes Training, em Campinas. Os treinos são mistos e vão de acordo com alguma meta, prova ou objetivo. Mas no geral, são 4 dias de corrida, sendo um dia de treino leve, outro intervalado com tiros, outro com o personal e um dia de longão.
Ás vezes tem dia sem treino planejado, mas que dá vontade de correr. Vou ao parque do Taquaral, dou uma volta (6km) tranquila ou forte (depende do ânimo) e pronto! Suficiente pra arrancar sorrisos de uma orelha à outra!
Mas é muito importante seguir a planilha de treinos rigorosamente! Assim eu consigo ver os resultados e as metas sendo atingidas! Atualmente, estou incluindo treinos de bicicleta e em breve começo treinos de natação. Quero muito fazer triatlo!

4- Tem uma prova dos sonhos?
R: Uma, não! Tenho várias provas dos sonhos!!! A cada prova cumprida, outra se torna a dos sonhos.
Ano passado, foi a 10 milhas Garoto, em Vitória – ES. Sou de lá, e sempre sonhei em passar por cima da Terceira Ponte a pé! Era um desafio (de aproximadamente 16 km) e ao mesmo tempo uma oportunidade de atravessar a ponte sem ser de carro. Por causa dessa prova, minha irmã mais velha insistiu que eu tivesse um personal. Foi aí que o João Fortes, da Fortes Training entrou na minha vida! Tanto, que eu convenci ele e a esposa de me acompanharem nas 10 milhas!
Esse ano (2013) tenho 3 provas dos sonhos. Quero fazer uma Meia Maratona agora em março, e uma Maratona no fim do ano. Ao mesmo tempo gostaria muito de fazer a Meia Maratona de Paris Versalhes que é quase no dia do meu aniversário, final de setembro!!!  
Futuramente, há quem diga (e eu não conto quem) que farei ultra maratonas! No deserto ainda! Quem sabe, né!?
 
5- O que você acha das provas  de 24 horas das capitais que começo em março?
R: Fico encantada com cada uma dessas provas que exigem um esforço físico e mental tremendo dos atletas! Penso que terminar cada uma é uma lição de vida e um exemplo de perseverança e conquista que é passado para quem está só assistindo de camarote. Ao mesmo tempo, sua prova tem um fundo solidário, demonstra sua preocupação de amor ao próximo. Mais um exemplo que pode e deve ser seguido.
Agora, sobre passar 24 horas correndo a cada final de semana, imagino que sejam provas muito desgastantes e provavelmente será um dos desafios mais difíceis, por ter que conciliar os curtos intervalos com alimentação, toalete, recuperação, descanso e sono.
 
6 - Você como fisioterapeuta e atleta tem uma visão mais ampla a respeito de prevenção de lesões o que recomenda para os corredores ?
R: Integridade física e bem estar é o mais importante para quem corre e quer continuar correndo. Afinal, correr com uma dor que persiste à dias, impede que qualquer pessoa dê continuidade às atividades. Por isso, existem 3 coisas que não devem ser esquecidas: 1. Alongar, 2. Hidratar, 3. Perceber como seu corpo reage aos treinos.
O alongamento previne lesões e prepara a musculatura para a atividade a ser iniciada. Existem algumas pessoas que nunca alongaram e não sentem necessidade disso, mas nestes casos, elas sempre passam por um período de aquecimento (atividade mais leve, como trotinho) para só depois intensificar a corrida. Até é possível correr algum tempo sem comer, mas ficar sem água não dá. Transpira-se muito durante a corrida e o corpo pode desidratar. Isso diminui muito o rendimento e performance do atleta. Com relação à percepção do corpo, é comum para o corredor que quer superar seus limites sentir um pouco de fadiga, aumento da frequência respiratória e dor no corpo durante o treino. Mas até ai tudo bem. Por outro lado, se o cansaço persiste após o treino e as dores duram por vários dias, mesmo em repouso, é hora de interromper as atividades e procurar auxílio de algum profissional da saúde, porque alguma coisa está errada e quanto antes descobrir a causa das dores, melhor!
 
7 - Sabendo que nas 24 horas tenho que  parar por 4 vezes em média como você irá ajudar na minha recuperação ?
 
R: Correndo no seu lugar ! Brincadeira!
É na hora que você  descansa que eu entro em cena trabalhando! Com a musculatura fadigada nada melhor que alongamentos para prevenir lesões, massagens na musculatura das pernas, coxas e costas para relaxar, gelo para reduzir inchaço ou aliviar alguma dor, mobilização articular se for necessário e outros recursos, baseado no que você estiver sentindo. Mas também pretendo correr alguns quilômetros com você, para dar um apoio moral e manter a minha forma. (risos)

8 - Fala de uma situação marcante e engraçada que passou na corrida?
R: Puxa, que difícil! Cada corrida tem uma situação marcante ou engraçada! Não dá pra falar só de uma.
Minha primeira prova de 10km eu respirei tão mal que nos últimos 2km meu abdômen doía demais, uma dor que nunca senti antes, nem voltei a sentir depois; outra vez durante um treino, eu tinha comido tanta massa e porcarias nos dias anteriores que senti falta de ar, nó na garganta e até vontade de chorar. Eu estava com o personal, parei de correr e não conseguia sequer falar. Precisei de uns 5 minutos pra recuperar e mesmo assim não consegui fazer o treino completo. Esses dias me marcaram pela dor!
Já os engraçados... sempre me divirto com o jeito estranho que algumas pessoas correm, fico rindo sozinha, Mas também faço minhas loucuras, as vezes quando estou cansada e o treino está difícil, olho pra lado (pra ver se não tem ninguém vendo) e grito comigo mesma: “Vai Rizaaaaaaaaa!” E dá certo, viu! Por ser tão eficaz, meu personal disse que ia adotar o método e começar a gritar “Vai Rizaaaaaa!” nas provas dele também!!! Outra vez, num treino de pedal, fui mexer com uma amiga minha que estava correndo. Era uma curva. Enquanto gritei pra ela, quase voei por cima de uns arbustos, consegui fazer a curva derrapando e quase cai. Ia perder meus dentes, mas seria uma queda boba e engraçada. Aprendi que não se deve mexer com os outros quando se está pedalando numa curva.
Já em provas, numa das corridas de Campinas, tinham patos e gansos na calçada! Nem era na calçada do lado da Lagoa do Taquaral. Como poucas pessoas assistem as corridas aqui em Campinas, me senti honrada com a presença de patos e gansos na platéia! Fiquei me perguntando de onde eles tinham surgido!!!??? Por fim, nas 10 Milhas Garoto, lembro que quando estava no alto da ponte, eu tive que fazer um pit stop pra ver a vista lá embaixo (sou curiosa e fascinada por altura). Olhei, admirei e pensei comigo mesma: Se eu fosse suicida, desistia de pular! Dá medo, viu!!!

 
9 - O que você tem a falar para as pessoas que ainda não iniciaram uma atividade física?

R: Falo que elas estão desperdiçando muitos momentos de alegria! A gente sofre durante os exercícios, mas a recompensa é sensacional! A recompensa física (um corpo mais esbelto) é boa. Correr é realmente bom como forma de cuidar da saúde, mas nada melhor que a satisfação mental e a mudança no humor após uma corrida extenuante. É de olhar para o lado e se sentir a pessoa mais poderosa e feliz de todas ao seu redor!
 
10 - O que te deixa mais plena e o que te fascina na corrida?
R: O que me deixa plena é essa sensação maravilhosa pós-corrida. Mas o que me fascina é a capacidade de um esporte tão barato, cativar e agregar tanto as pessoas. Sem perceber você fica viciado e não consegue viver mais sem. Se contagia com a experiência e alegria das pessoas ao redor e passa a desejar aquilo pra você também. E os desejos não têm limites, você quer sempre correr uns km a mais, uns minutos a menos, numa cidade ou país diferente e assim vai. Não tem fim.